Opinião pública brasileira sofre de complexo de alemão
MARCOS FLAMÍNIO PERES
DE SÃO PAULO
Por que a ocupação do Complexo do Alemão foi aprovada quase em uníssono pela opinião pública? Qual foi o substrato sociocultural que endossou uma ação e um discurso tão fechados, em que não cabiam, num primeiro momento, nem fissuras nem antagonismos?
Uma hipótese é a ascensão da classe C, que há anos vem engrossando o caldo da classe média brasileira.
À medida que entra no mercado consumidor, preza as ideias de ordem, estabilidade e eficiência que vigem no mundo "pequeno burguês" em que se insere.
É sob esse novo status quo que se produz, que se ganha dinheiro e que se compram carros zero km, laptops e TVs de cristal líquido.
Mas também passa a desfrutar de cidadania, mesmo pálida, e pressiona o Estado a cumprir sua parte no pacto social. Esse é o lado bom.
O lado ruim é que pode temer seu avesso: a instabilidade, o mundo desorganizado em que a lei não se aplica. Nesse imaginário amorfo, o agente da desordem é tanto o narcotraficante quanto as favelas que ele aterroriza.
Há cinco anos, a França viveu algo assim. A classe média apoiou em massa a ação policial contra as revoltas nos subúrbios. Segregados econômica e racialmente, simbolizavam um país ineficiente, com saúde, educação e empregos declinantes.
O exemplo a seguir estava do outro lado da fronteira: a Alemanha, o esteio financeiro e industrial da União Europeia, com um Estado de Bem-Estar Social invejável e que integrava suas minorias. No reino da fantasia, era o país da organização e eficiência.
Na ordem capitalista, classe média é um modo não só de produzir, mas de ver e ser.
Por aqui, Dunga não se firmou na seleção justamente por ser o descendente de alemães que criaria ordem e hierarquia no microcosmo das quatro linhas? Não incorporava o Capitão Nascimento do escrete canarinho?
Não há melhor lugar para a nova classe média fazer valer seu complexo de alemão do que o Complexo do Alemão.
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Wednesday, December 1, 2010
ANÁLISE-Opinião pública brasileira sofre de complexo de alemão
Wednesday, November 17, 2010
Quais seriam os caminhos para melhoria de ensino no Brasil?

A cada ano letivo, milhões de crianças entram e saem da escola, passando durante esses anos, como simples período de divisão de responsabilidades do estado e dos pais sobre os novos brasileiros que se formam, pelo menos no papel.
A necessidade é de que cada criança e adolescente aprenda seu papel no mundo, isso só se dá criando condições para que esse ser humano tenha a capacidade de pensar e aprender, muito além do objetivo básico da educação, que é encaminhar para o mercado de trabalho que é a participação do cidadão como população economicamente ativa.
Educação para a vida e convivência social, construção do ser humano se dá por estímulos direcionados para o caráter pessoal do ser humano, o qual tem preocupação com seu papel na sociedade para tornar o local em que vive melhor, e criação de valores humanísticos, e não simplesmente ser mais uma pessoa no mundo, que muitas vezes somente exerce seu poder de manifestação de opiniões no exato momento que confirma o voto em eleições por pura obrigação.
Quando houver por parte de projetos elaborados e aprovados por políticos interessados em dar condição de criarmos pensadores da sociedade, por meio de nova forma de educação para a vida, com estímulos diretos a capacidade cognitiva de cada um, terá à longo prazo uma geração de pessoas empenhadas em propagar o conhecimento, sendo assim é somente uma única cartada inicial no presente, com fortes estímulos tanto na área financeira, quanto estrutural, com acompanhamento muito próximo a cada família com filhos em idade escolar.
Porém isso não traz os louros ou reconhecimentos a curto prazo para os inseridos no mundo político, por que em geral as ações devem se criar, propor e aplicar dentro dos quatros anos do mandato, para que tenha seus frutos, pura e simplesmente eleitoreiros, deixando o “futuro “ de lado, pois crianças que seriam beneficiadas não votam e seus pais, votam mas não pensam.
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